Terça-feira, 7 de julho de 2026

Estudo detecta 25 tipos de agrotóxicos no Rio Tietê e acende alerta para a qualidade da água

Levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica encontrou resíduos de herbicidas, fungicidas e inseticidas em todos os trechos analisados, incluindo substâncias com potencial risco à saúde.
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A presença de agrotóxicos no Rio Tietê voltou a preocupar especialistas. Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, identificou 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos ao longo do rio.

As análises apontaram resíduos de herbicidas, fungicidas e inseticidas utilizados principalmente em lavouras de cana-de-açúcar, soja e citros. De acordo com os pesquisadores, parte desses produtos pode ser levada pela chuva até rios e córregos após a aplicação nas plantações.

Entre as substâncias encontradas está a atrazina, herbicida que foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024, como potencialmente cancerígeno. O estudo revelou que, em alguns trechos do Tietê, a concentração desse produto ultrapassou o limite permitido pela legislação brasileira para a qualidade da água.

Outros dois herbicidas, tebutiurom e clomazona, foram detectados em 100% das amostras, sendo as maiores concentrações registradas entre os municípios de Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região de forte atividade agrícola.

Mesmo na nascente do Rio Tietê, localizada em Salesópolis e considerada uma área mais preservada, os pesquisadores encontraram resíduos de herbicidas e inseticidas.

Substâncias mais encontradas

Os agrotóxicos com maior frequência nas amostras foram:

  • Tebutiurom – 100%;
  • Clomazona – 100%;
  • Diurom – 92,86%;
  • Ciproconazol – 85,71%;
  • Hexazinona – 85,71%;
  • Atrazina – 85,71%;
  • Terbutilazina – 85,71%;
  • Acetamiprido – 85,71%.

Possíveis impactos

Segundo os pesquisadores, a presença desses produtos pode causar danos aos peixes e a outros organismos aquáticos, afetando seu desenvolvimento, comportamento e o equilíbrio dos ecossistemas.

O estudo também alerta que a combinação de diferentes agrotóxicos pode aumentar os efeitos negativos sobre o meio ambiente. Outro ponto de preocupação é que parte da água do Médio e Baixo Tietê é utilizada para abastecimento público, enquanto os sistemas convencionais de tratamento nem sempre conseguem eliminar completamente esse tipo de contaminante.

Expedição analisou todo o Rio Tietê

A pesquisa percorreu mais de 1.100 quilômetros do Rio Tietê, da nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, entre os dias 9 e 14 de junho de 2025.

Além dos agrotóxicos, os pesquisadores também identificaram microplásticos em todas as amostras e encontraram 16 outras substâncias, incluindo resíduos de medicamentos e drogas ilícitas, como cocaína, reforçando o alerta sobre a qualidade da água do principal rio paulista.

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