Sexta-feira, 29 de maio de 2026

EUA classificam PCC e CV como terroristas e decisão acende alerta no Brasil

Medida pode trazer sanções, pressão internacional e impactos para empresas e brasileiros
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Os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em listas de organizações terroristas internacionais. A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano e já causa preocupação no governo brasileiro.

Com a medida, as facções passam a ser consideradas oficialmente grupos terroristas pelos EUA. Especialistas avaliam que isso pode aumentar a pressão internacional sobre o Brasil e abrir caminho para sanções financeiras, investigações e até ações mais rígidas contra pessoas e empresas ligadas às organizações.

A classificação foi feita com base em leis criadas pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. Entre os principais objetivos estão bloquear recursos financeiros e ampliar o combate a grupos considerados ameaças internacionais.

Além de entrar na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, PCC e CV também foram classificados como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Com isso, o governo norte-americano ganha respaldo legal para aplicar punições e abrir processos contra envolvidos com as facções.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades dos EUA, a partir de 5 de junho pessoas ou empresas que realizarem transações financeiras ou ofereçam apoio aos grupos poderão sofrer sanções, responder criminalmente e até serem impedidas de entrar ou permanecer em território norte-americano.

A decisão foi anunciada poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. O parlamentar afirmou que o enquadramento das facções como terroristas esteve entre os temas discutidos durante a viagem.

Especialistas em relações internacionais alertam que a medida pode gerar impactos econômicos e burocráticos para o Brasil. Empresas brasileiras podem enfrentar fiscalização mais rigorosa em operações nos Estados Unidos, enquanto brasileiros podem ter maior dificuldade na emissão de vistos.

No governo Lula, a decisão é vista com preocupação. Integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto temem possíveis interferências estrangeiras em assuntos internos do país.

O receio aumentou após ações recentes dos Estados Unidos na Venezuela. Em 2025, um cartel venezuelano também foi classificado como organização terrorista. Meses depois, forças norte-americanas realizaram uma operação no país que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de envolvimento com narcoterrorismo.

Diplomatas brasileiros avaliam que a decisão dos Estados Unidos é unilateral e não depende da aprovação do Brasil. Mesmo assim, o tema deve aumentar a tensão diplomática entre os dois países nos próximos meses.

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