Terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Fim de uma era na Bolívia: eleições definem segundo turno sem candidatos da esquerda

Após quase 20 anos no poder, o Movimento ao Socialismo (MAS) é derrotado e disputa presidencial ficará entre políticos de centro-direita.
bolivia

A Bolívia se prepara para um segundo turno presidencial histórico no próximo domingo (19), marcado pela ausência da esquerda na disputa final. O Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo Morales e Luis Arce, sofreu uma derrota inédita no primeiro turno e não terá candidato na corrida pelo Palácio Quemado.

O MAS chegou dividido: Morales e Arce romperam alianças antigas, e o partido principal obteve menos de 4% dos votos com Eduardo del Castillo. O candidato de maior votação à esquerda foi Andrónico Rodríguez, com 8,15%. Assim, o segundo turno será disputado pelo centrista Rodrigo Paz Pereira (32,08% no primeiro turno) e pelo ex-presidente de direita Jorge “Tuto” Quiroga (26,94%).

A derrota do MAS marca o fim de duas décadas de transformações na Bolívia, período em que o país teve crescimento econômico sustentado, principalmente pelo gás natural, e avanços sociais. No entanto, a economia enfrenta hoje crise com inflação alta, falta de dólares e queda das exportações de hidrocarbonetos.

Analistas apontam que o partido fracassou em lidar com a escassez de reservas e na preparação para a sucessão política. Morales, impedido de concorrer, incentivou voto nulo ou em branco, enquanto Arce não buscou a reeleição, mantendo o MAS em frangalhos.

O cenário abre caminho para a direita, representada por Quiroga, ligada a partidos tradicionais, e Paz Pereira, mais centrista. Apesar da influência de movimentos conservadores na região, especialistas destacam que os candidatos bolivianos mantêm posições moderadas em comparação a líderes de outros países da América Latina.

O futuro de Evo Morales e do MAS ainda é incerto. Para alguns, a derrota pode ser uma chance de reconstrução interna e maior democracia no partido; para outros, a crise econômica pode criar espaço para o retorno político do ex-presidente. (G1)

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