A fome no mundo voltou a diminuir em 2025, pelo terceiro ano consecutivo. Mesmo assim, cerca de 645 milhões de pessoas ainda enfrentam a falta de alimentos, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O levantamento aponta que 7,8% da população mundial passou fome em 2025, uma melhora em relação aos anos anteriores. Em comparação com 2024, cerca de 14 milhões de pessoas deixaram a condição de fome, enquanto a redução chega a 43 milhões em relação a 2022.
Apesar dos avanços, a ONU alerta que o ritmo ainda é insuficiente para cumprir a meta de acabar com a fome até 2030.
Insegurança alimentar ainda preocupa
Além da fome, aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Isso significa que essas pessoas não conseguem consumir alimentos suficientes ou têm acesso apenas a produtos com baixo valor nutricional.
Embora esse número também tenha diminuído nos últimos anos, ele continua acima dos níveis registrados antes da pandemia de covid-19.
África concentra maior número de pessoas com fome
O relatório mostra que a recuperação não acontece da mesma forma em todas as regiões do planeta.
Enquanto Ásia, América Latina e Caribe apresentaram melhora nos indicadores, a África segue como o continente mais afetado, com cerca de 309 milhões de pessoas passando fome. Atualmente, uma em cada cinco pessoas no continente enfrenta essa realidade.
Mais da metade da população africana também vive em situação de insegurança alimentar.
Mulheres e crianças seguem entre os mais vulneráveis
A ONU destaca que as mulheres continuam sendo mais afetadas pela falta de acesso a uma alimentação saudável. Apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos conseguem manter uma dieta considerada minimamente adequada.
Entre as crianças, os dados também preocupam. Apenas 30,8% das crianças de 6 a 23 meses recebem uma alimentação com diversidade nutricional suficiente.
O relatório ainda aponta que:
- Cerca de 150 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem com atraso no crescimento causado pela desnutrição.
- Os casos de anemia entre mulheres em idade fértil continuam aumentando.
- A obesidade em adultos também cresceu nos últimos anos, contrariando as metas internacionais de controle.
Alimentação saudável continua cara
Outro desafio apontado pela ONU é o alto custo de uma alimentação equilibrada.
Em 2025, cerca de 2,69 bilhões de pessoas não tinham condições financeiras para manter uma dieta saudável.
A situação é mais crítica na África, onde aproximadamente 67% da população não consegue arcar com esse custo. A América Latina e o Caribe registraram o maior custo médio diário para uma alimentação saudável entre todas as regiões analisadas.
Segundo o relatório, reduzir esse valor depende de investimentos em infraestrutura, tecnologia, produção agrícola e políticas públicas que ampliem a oferta de alimentos nutritivos.
Conflitos e clima podem agravar a situação
A ONU também alerta que guerras, eventos climáticos extremos e a redução de recursos destinados à ajuda humanitária podem provocar um novo aumento da fome nos próximos anos.
Os conflitos internacionais, mudanças climáticas e oscilações nos preços dos alimentos são apontados como alguns dos principais fatores de risco.
Para os organismos internacionais, fortalecer a produção de alimentos e ampliar o acesso da população a dietas saudáveis será fundamental para reduzir a fome e garantir segurança alimentar em todo o mundo até 2030.