Mato Grosso do Sul deve deixar de receber cerca de R$ 150 milhões em recursos federais após parte das emendas de bancada ser desviada para financiar o fundo partidário, verba usada para custear despesas dos partidos políticos. O corte atinge principalmente infraestrutura viária, saúde, educação e habitação.
Segundo o coordenador da bancada sul-mato-grossense, deputado Dagoberto Nogueira (PSDB), dos R$ 565,7 milhões previstos, o estado ficará com R$ 415,7 milhões divididos entre educação, habitação, infraestrutura, saúde e agricultura — bem abaixo do planejado inicialmente.
Onde o corte mais pesa
Um documento interno ao qual o Jornal Midiamax teve acesso mostra que as principais emendas somam R$ 374,7 milhões, concentradas em oito áreas. A maior fatia vai para a infraestrutura, com R$ 190 milhões.
Entre os principais impactos:
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Rodovias e vias urbanas:
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A rota Bataguassu–Porto Murtinho caiu de R$ 120 milhões para R$ 30 milhões.
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Campo Grande mantém R$ 100 milhões para obras.
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Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas e Corumbá recebem juntos R$ 30 milhões.
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Habitação:
R$ 100 milhões previstos para projetos em várias cidades, incluindo Campo Grande, Dourados e Ribas do Rio Pardo. -
Educação e saúde:
UFMS, UFGD e IFMS devem receber R$ 23 milhões — R$ 758 mil a menos.
Para a saúde, o corte é o mesmo: previsão cai para R$ 28 milhões. -
Agricultura:
R$ 33 milhões devem ser usados para compra de equipamentos.
Obras em risco
Alguns projetos sofreram reduções drásticas. O Anel Viário de Três Lagoas, por exemplo, caiu de R$ 11 milhões previstos para apenas R$ 1 milhão.
Na BR-419, entre Rio Verde e Aquidauana, o corte foi de R$ 50 milhões — de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões.
A BR-262, que liga a divisa SP/MS à fronteira com a Bolívia, manteve os R$ 30 milhões previstos.
Com menos dinheiro, prefeituras e o governo estadual devem adotar medidas de contenção para não comprometer serviços essenciais. Segundo Dagoberto, não há previsão de reposição dos valores cortados.
Por que o dinheiro foi retirado
A Comissão Mista de Orçamento elevou o valor do fundo eleitoral das eleições de 2026 de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões, replicando o gasto da eleição municipal de 2024. Para cobrir esse aumento, foi necessário cortar R$ 3,9 bilhões de outras áreas — grande parte das emendas de bancada dos estados.
A reserva total para essas emendas caiu de R$ 15,2 bilhões para R$ 11,2 bilhões.
O que é o fundo partidário
O Brasil tem 30 partidos registrados no TSE. O fundo partidário financia despesas fixas das legendas, como:
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aluguel e contas das sedes
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salários de funcionários
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deslocamentos
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atividades administrativas
O fundo é composto por dinheiro do orçamento da União, multas eleitorais e outras fontes legais.
Em 2024, os partidos receberam R$ 1,09 bilhão. Os três maiores beneficiados foram:
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PL – R$ 170,3 milhões
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PT – R$ 134,4 milhões
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União Brasil – R$ 107,2 milhões
O menor repasse foi para o PV, com R$ 11,6 milhões. (midiamax.com.br).