Terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Fundão partidário tira R$ 150 milhões de obras e serviços em Mato Grosso do Sul

Corte atinge estradas, saúde, educação e habitação; bancada perde parte das emendas para bancar verba aos partidos
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Mato Grosso do Sul deve deixar de receber cerca de R$ 150 milhões em recursos federais após parte das emendas de bancada ser desviada para financiar o fundo partidário, verba usada para custear despesas dos partidos políticos. O corte atinge principalmente infraestrutura viária, saúde, educação e habitação.

Segundo o coordenador da bancada sul-mato-grossense, deputado Dagoberto Nogueira (PSDB), dos R$ 565,7 milhões previstos, o estado ficará com R$ 415,7 milhões divididos entre educação, habitação, infraestrutura, saúde e agricultura — bem abaixo do planejado inicialmente.

Onde o corte mais pesa

Um documento interno ao qual o Jornal Midiamax teve acesso mostra que as principais emendas somam R$ 374,7 milhões, concentradas em oito áreas. A maior fatia vai para a infraestrutura, com R$ 190 milhões.

Entre os principais impactos:

  • Rodovias e vias urbanas:

    • A rota Bataguassu–Porto Murtinho caiu de R$ 120 milhões para R$ 30 milhões.

    • Campo Grande mantém R$ 100 milhões para obras.

    • Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas e Corumbá recebem juntos R$ 30 milhões.

  • Habitação:
    R$ 100 milhões previstos para projetos em várias cidades, incluindo Campo Grande, Dourados e Ribas do Rio Pardo.

  • Educação e saúde:
    UFMS, UFGD e IFMS devem receber R$ 23 milhões — R$ 758 mil a menos.
    Para a saúde, o corte é o mesmo: previsão cai para R$ 28 milhões.

  • Agricultura:
    R$ 33 milhões devem ser usados para compra de equipamentos.

Obras em risco

Alguns projetos sofreram reduções drásticas. O Anel Viário de Três Lagoas, por exemplo, caiu de R$ 11 milhões previstos para apenas R$ 1 milhão.

Na BR-419, entre Rio Verde e Aquidauana, o corte foi de R$ 50 milhões — de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões.

A BR-262, que liga a divisa SP/MS à fronteira com a Bolívia, manteve os R$ 30 milhões previstos.

Com menos dinheiro, prefeituras e o governo estadual devem adotar medidas de contenção para não comprometer serviços essenciais. Segundo Dagoberto, não há previsão de reposição dos valores cortados.

Por que o dinheiro foi retirado

A Comissão Mista de Orçamento elevou o valor do fundo eleitoral das eleições de 2026 de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões, replicando o gasto da eleição municipal de 2024. Para cobrir esse aumento, foi necessário cortar R$ 3,9 bilhões de outras áreas — grande parte das emendas de bancada dos estados.

A reserva total para essas emendas caiu de R$ 15,2 bilhões para R$ 11,2 bilhões.

O que é o fundo partidário

O Brasil tem 30 partidos registrados no TSE. O fundo partidário financia despesas fixas das legendas, como:

  • aluguel e contas das sedes

  • salários de funcionários

  • deslocamentos

  • atividades administrativas

O fundo é composto por dinheiro do orçamento da União, multas eleitorais e outras fontes legais.

Em 2024, os partidos receberam R$ 1,09 bilhão. Os três maiores beneficiados foram:

  • PL – R$ 170,3 milhões

  • PT – R$ 134,4 milhões

  • União Brasil – R$ 107,2 milhões

O menor repasse foi para o PV, com R$ 11,6 milhões. (midiamax.com.br).

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