A possível greve nacional dos caminhoneiros, anunciada para esta quinta-feira (4), já preocupa lojistas e donos de postos de combustíveis em Mato Grosso do Sul. Para eles, qualquer interrupção no transporte pode elevar preços, afetar o abastecimento e atrapalhar as vendas de fim de ano.
O presidente do Sinpetro-MS, Edson Lazarotto, afirma que o setor sente imediatamente qualquer bloqueio nas estradas. Segundo ele, atrasos na entrega de combustíveis podem reduzir o estoque dos postos e gerar oscilações de preços.
A presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, também demonstra preocupação. Ela diz que o comércio, especialmente em dezembro, depende do fluxo constante de mercadorias. “O direito de greve existe, mas é preciso responsabilidade. Uma paralisação agora afeta lojistas, funcionários e consumidores”, afirma.
Caminhoneiros divididos
Motoristas sul-mato-grossenses confirmam que há movimento para paralisação, mas dizem que o Estado pode ser um dos últimos a parar. Um caminhoneiro ouvido pela reportagem afirma que a categoria enfrenta queda nos fretes — segundo ele, o transporte de minério caiu cerca de 18% desde setembro.
Risco de instabilidade
A lembrança da greve de 2018 aumenta o alerta. Na época, MS enfrentou falta de combustíveis, produtos sumiram da Ceasa e pequenas cidades ficaram dias sem abastecimento.
Lazarotto afirma que o momento econômico não comporta novos aumentos de preços ou risco de inflação. Para Inês, qualquer interrupção nas rodovias pode atrasar pedidos e prejudicar o fluxo de clientes no comércio.
Ceasa descarta impacto imediato
A Ceasa-MS informou que, até agora, não há indicação de adesão à greve por parte dos caminhoneiros que abastecem as centrais. O fornecimento de frutas, verduras e legumes segue normal.
Possível paralisação em 2025
Segundo o Sindicam-MS, não há confirmação de greve no Estado. Já o Sindicargas-MS afirma que, se ocorrer, deve ser organizada apenas por autônomos — que, historicamente, não seguem orientações sindicais e se articulam principalmente por grupos de WhatsApp.
Uma entidade nacional, a CNTTL, já informou que não apoia a paralisação e negou envolvimento em qualquer movimento marcado para o dia 4. A confederação afirma ser contra mobilizações com motivação política.
Caminhoneiros em MS, porém, dizem que suas reivindicações são econômicas: piso mínimo do frete, jornada de trabalho e aposentadoria especial. (midiamax.com.br).