Mato Grosso do Sul dará um importante passo rumo à modernização do agronegócio com a criação do AgroValley MS, um novo polo de inovação voltado ao desenvolvimento de tecnologias para o campo. A iniciativa será apresentada nesta segunda-feira (1º) e contará com um fundo de investimento que pretende captar até R$ 150 milhões até o final deste ano.
Com sede em Campo Grande, o centro terá cerca de 1.000 metros quadrados e reunirá universidades, produtores rurais, empresas de tecnologia e investidores em um mesmo ambiente. O objetivo é criar, testar e acelerar soluções inovadoras para aumentar a eficiência da produção agropecuária.
O projeto é uma parceria entre a gestora Vivaterra Ventures e Participações e a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). As atividades devem começar ainda em 2026.
Entre as áreas de atuação estão inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas, biotecnologia, rastreabilidade, gestão de dados e agricultura de baixo carbono. A proposta é transformar pesquisas e ideias inovadoras em ferramentas práticas para o dia a dia das propriedades rurais.
Segundo os idealizadores, o AgroValley MS funcionará em três frentes: incubação de startups em fase inicial, validação de tecnologias diretamente no campo e aceleração de empresas que já possuem produtos no mercado e desejam expandir seus negócios.
As primeiras empresas avaliadas para integrar o ecossistema são a Kerow Soluções de Precisão, de Mato Grosso do Sul, especializada em inteligência artificial e monitoramento de animais, e a Carbon Vantage, de São Paulo, que atua no mercado de créditos de carbono utilizando inteligência artificial, monitoramento por satélite e tecnologia blockchain.
Além da UEMS, a iniciativa conta com apoio institucional do Governo do Estado e da Fundação MS. Os organizadores destacam que não haverá investimento direto de recursos públicos estaduais no fundo.
A captação de investidores começa nesta segunda-feira e deve seguir até o fim do ano. O foco é atrair recursos de investidores brasileiros e estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos e do Canadá. O aporte mínimo previsto é de R$ 1 milhão por participante.
A expectativa dos organizadores é ampliar os investimentos privados em ciência, tecnologia e inovação no agronegócio do Centro-Oeste, fortalecendo a competitividade do setor diante dos desafios climáticos e das novas exigências de sustentabilidade dos mercados internacionais.
Dados do setor mostram que as startups voltadas ao agronegócio movimentaram cerca de R$ 1 bilhão em investimentos no Brasil em 2024. Apesar da força do agro na região, menos de 5% dessas empresas estão instaladas no Centro-Oeste, cenário que o AgroValley MS pretende ajudar a mudar nos próximos anos.