A segunda fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira (28) pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo em parceria com a Receita Federal. A ação investiga um esquema milionário ligado ao PCC que atuava no setor de combustíveis, usando fintechs, empresas de fachada e fraudes fiscais para lavar dinheiro e esconder patrimônio.
Batizada de “Fluxo Oculto”, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Segundo as investigações, mesmo após operações realizadas em 2025, o grupo criminoso continuou movimentando dinheiro ilegalmente por meio de postos de combustíveis, fintechs e empresas criadas para despistar a fiscalização.
Os investigadores apontam que dezenas de postos chegaram a concentrar movimentações em uma única conta bancária para dificultar o rastreamento do dinheiro. Em um dos casos, operações de 56 postos eram feitas na mesma conta.
O Ministério Público afirma que o PCC aparece como beneficiário indireto do esquema, utilizando as mesmas estruturas financeiras para ocultação de recursos e circulação de dinheiro ilícito. A investigação também identificou conexões entre empresas do grupo e pessoas já investigadas por ligação com a facção criminosa.
Os principais alvos da operação são os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”. Os dois estão foragidos desde o ano passado e são apontados como líderes da organização.
De acordo com o MP, eles tentaram fechar um acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada após os promotores concluírem que informações importantes sobre lavagem de dinheiro, relação com o PCC e corrupção policial teriam sido omitidas.
A operação também investiga a chamada “máfia do nafta”, esquema que desviava solventes petroquímicos com baixa tributação para produzir gasolina adulterada. O combustível era misturado ilegalmente e vendido em postos como se fosse gasolina comum.
As investigações apontam que mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos. O prejuízo estimado com sonegação fiscal ultrapassa R$ 200 milhões.
Além disso, o grupo também teria usado fundos de investimentos para dar aparência legal ao dinheiro obtido com as fraudes. Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações suspeitas que chegam a R$ 3,8 bilhões.
A Justiça também autorizou bloqueios milionários em fundos usados no esquema, com valores que superam R$ 200 milhões.