Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Bom Jardim (MA): R$ 650 milhões do Fundeb e escolas em situação crítica por décadas de corrupção

Quatro dos últimos cinco prefeitos da cidade (Lidiane Leite, Malrinete Gralhada, Manoel da Conceição Pereira Filho e Francisco Alves Araújo) foram condenados por desvios de verba; crianças estudam em igrejas, casas e prédios abandonados enquanto recursos públicos desaparecem.
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Em Bom Jardim, município do Maranhão, crianças estudam em igrejas, casas de moradores e prédios abandonados, mesmo com a cidade tendo recebido mais de R$ 650 milhões do Fundeb nos últimos 13 anos. O problema não é falta de recursos, mas o histórico de corrupção que marcou os últimos governos.

Dos cinco últimos prefeitos, quatro foram condenados por desvios ou improbidade administrativa, gerando um ciclo de abandono das escolas públicas.

O caso mais conhecido é o da ex-prefeita Lidiane Leite, apelidada de “Prefeita Ostentação”, que foi presa por desviar cerca de R$ 15 milhões destinados à educação e acumula dez condenações, somando quase 40 anos de prisão. Ela foi sucedida pela vice Malrinete Gralhada, condenada a 15 anos por desvio de dinheiro. Entre 2016 e 2020, Manoel da Conceição Pereira Filho e Francisco Alves Araújo também assumiram o cargo e foram responsabilizados por corrupção e improbidade, em ações civis e criminais.

Segundo o promotor Fábio Oliveira, responsável pelas investigações, existe uma “cultura de corrupção” na cidade: os prefeitos sabiam que ao assumir iriam desviar recursos da educação e outros setores públicos.

Enquanto isso, a realidade das escolas é precária. Banheiros são raros ou inexistentes; água potável muitas vezes vem de poços contaminados. Estruturas de alvenaria estão abandonadas há anos. Professores precisam atender turmas com crianças de idades diferentes ao mesmo tempo, improvisando aulas e materiais.

Moradores relatam que o ensino em Bom Jardim muitas vezes depende da solidariedade da população. Dona Elivânia, por exemplo, abre sua casa para receber alunos há mais de 10 anos. A família de Eudinete caminha diariamente por estradas de terra até uma igreja que funciona como escola improvisada. Ela lamenta: “Um banheiro, pelo menos, seria o mínimo.”

A atual prefeita, Christianne Varão, ex-professora e reeleita, também é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por desvio de verbas. Ela afirma que a cidade é extensa e que não é possível resolver todos os problemas em quatro anos, mas promete construir novas unidades escolares.

Os sonhos das crianças são simples: salas de aula com carteiras e mesas adequadas, piso de qualidade, banheiro decente, água potável e internet. Para o promotor Fábio Oliveira, a corrupção na educação é um “destruidor de sonhos”.

Defesas de ex-prefeitos alegam pressão política, recursos em andamento ou processos ainda não julgados. Lidiane Leite e Malrinete Gralhada recorrem em liberdade, enquanto outros contestam as acusações civilmente.

O cenário de Bom Jardim mostra que, apesar de milhões em recursos públicos, a corrupção sistemática mantém a educação em condições precárias, impactando diretamente a vida de crianças e famílias. (G1 Fantástico)

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