Sexta-feira, 26 de junho de 2026

Brasil cria novas regras para manter exportação de carne bovina à União Europeia

Produtores que desejarem vender ao mercado europeu terão que comprovar que os animais nunca receberam antimicrobianos durante toda a vida.
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O governo federal lançou um novo protocolo para tentar garantir a continuidade das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia. A medida atende às novas exigências do bloco europeu, que passarão a valer a partir de 3 de setembro.

Pelas novas regras, somente poderão ser exportados animais que comprovadamente não tenham recebido medicamentos antimicrobianos em nenhuma fase da vida. Como o Brasil ainda não atende plenamente esse requisito, o país segue fora da lista de exportadores autorizados para esse mercado após a entrada em vigor da norma.

Para mudar esse cenário, o Ministério da Agricultura criou o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos. A participação será voluntária, mas indispensável para os produtores interessados em comercializar carne com os países da União Europeia.

O processo exige a contratação de uma certificadora credenciada, assinatura de um termo de adesão, elaboração de planos sanitário e nutricional e comprovação de controle sobre o uso dos medicamentos proibidos. Após a análise dos documentos e vistoria na propriedade, o certificado poderá ser emitido em até sete dias.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o protocolo ainda está em fase inicial e, até o momento, nenhuma fazenda concluiu a certificação. A expectativa é que os produtores iniciem a adaptação nos próximos meses.

Monensina é o principal desafio

Um dos maiores obstáculos para os pecuaristas é a substituição da monensina, substância amplamente utilizada na alimentação de bovinos confinados. O produto melhora a conversão alimentar e ajuda os animais a ganhar peso com maior eficiência.

Especialistas explicam que, apesar de também ser utilizada como medicamento em algumas situações, a monensina é empregada principalmente para melhorar o funcionamento do sistema digestivo dos bovinos.

Adequação pode aumentar custos

As novas exigências devem gerar investimentos para os produtores rurais. Além da necessidade de substituir a monensina por outros aditivos, será preciso cumprir todas as etapas do processo de certificação.

Para muitos pecuaristas, a decisão dependerá do retorno financeiro oferecido pelo mercado europeu. Caso os custos sejam maiores que os benefícios, parte dos produtores poderá priorizar outros destinos para a carne brasileira, como a China.

Existem alternativas

A indústria de nutrição animal informa que já desenvolve soluções para atender às novas regras. Entre as opções estão óleos essenciais, probióticos e outros aditivos naturais, que podem substituir a monensina sem elevar significativamente os custos de produção.

Negociações continuam

Enquanto o setor se adapta, o governo brasileiro segue negociando com a União Europeia. O bloco informou que as regras foram definidas em 2023 e que os países exportadores tiveram tempo para se preparar.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou que trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para cumprir todas as exigências. Uma missão técnica da União Europeia deve visitar o Brasil no segundo semestre para avaliar os avanços e decidir sobre a habilitação das exportações brasileiras.

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