Quarta-feira, 20 de maio de 2026

Leite deve continuar mais caro em 2026 e aumento começa no campo

Custos de produção, clima e disputa entre indústrias pressionam preços e consumidor já sente impacto nos supermercados
leite

O preço do leite segue em alta no Brasil e a tendência é de novos aumentos nos próximos meses de 2026. O consumidor já percebeu o impacto nas prateleiras, principalmente no leite longa vida, que teve forte reajuste recentemente.

Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), o leite UHT foi um dos alimentos que mais subiram em maio, com aumento de 13,85% em relação ao mês anterior. A alta também aparece nos índices oficiais da inflação.

Especialistas apontam que o aumento é resultado de vários fatores que começam ainda no campo. Durante o período de outono e inverno, as pastagens perdem qualidade e a produção de leite diminui naturalmente, principalmente em estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás, grandes produtores do país.

Além disso, produtores enfrentam aumento nos custos da atividade. Ração, fertilizantes, energia elétrica e diesel ficaram mais caros nos últimos meses. Parte dessa pressão vem da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais de insumos utilizados na pecuária.

Mesmo recebendo mais pelo litro do leite, muitos pecuaristas ainda evitam investir na produção porque os gastos continuam altos. Em março de 2026, o valor médio pago ao produtor chegou a R$ 2,39 por litro, alta de 10,5% sobre fevereiro, segundo levantamento do Cepea.

Outro fator que pressiona os preços é a disputa entre laticínios pela matéria-prima. Com menor oferta de leite no mercado, as indústrias estão pagando mais para garantir o produto, e esse custo acaba sendo repassado rapidamente ao consumidor.

A baixa produção também reflete a falta de investimentos após o chamado “ciclo do leite” de 2025, período em que houve excesso de oferta e queda na rentabilidade do produtor. Com isso, muitos reduziram investimentos na atividade.

Os derivados também ficaram mais caros. O leite longa vida teve aumento superior a 18%, enquanto a muçarela subiu mais de 6%. Produtos como manteiga, iogurtes e suplementos proteicos à base de leite também registraram reajustes.

Para tentar equilibrar o mercado, o Brasil aumentou a importação de lácteos. Em março, o volume importado cresceu 33%, ultrapassando 600 milhões de litros em equivalente leite.

Apesar do cenário de alta, especialistas acreditam que os reajustes podem perder força a partir do meio do ano, caso a produção volte a crescer e o consumidor reduza o consumo devido aos preços elevados.

Preço pago ao produtor em 2026 (média nacional):

  • Janeiro: R$ 2,02 por litro
  • Fevereiro: R$ 2,14
  • Março: R$ 2,39

O aumento acumulado em março foi de 10,5% sobre fevereiro, mantendo o leite entre os produtos com maior pressão sobre a inflação dos alimentos no país.

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