Adélio Bispo, autor da facada que feriu Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, passa por uma nova avaliação psiquiátrica que pode decidir se ele continuará preso ou se poderá ser colocado em liberdade. Ele está internado na Penitenciária Federal de Campo Grande desde o atentado.
Um perito oficial realizou novos testes e exames para analisar seu estado mental atual. O laudo vai comparar informações antigas, que o classificaram como inimputável por transtorno mental, com a situação atual, verificando se Adélio ainda possui doença que justifique sua internação.
A Justiça também avalia se ele oferece risco a si mesmo ou a outras pessoas.
Caso o laudo indique periculosidade, a internação será mantida. Se não, ele pode ser liberado, embora especialistas considerem essa chance pequena.
Agentes do sistema prisional relataram que a saúde mental de Adélio piorou ao longo dos anos. Ele vive praticamente isolado, não lê livros e não interage com ninguém na penitenciária, o que reforça a avaliação de que não tem condições de retornar ao convívio social.
Estrutura e impasses judiciais
Mesmo considerado inimputável, Adélio continua preso porque não há vagas em hospitais psiquiátricos judiciais. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu sua transferência para Minas Gerais após um impasse entre juízes dos dois estados, e ele permaneceu na penitenciária de Campo Grande.
A unidade é vista como a mais preparada do sistema federal para custodiar detentos com transtornos mentais, embora não seja ideal para tratamento.
Relembre o caso
Em 6 de setembro de 2018, Bolsonaro foi atacado durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Adélio foi preso em flagrante e confessou o crime, alegando ter agido sozinho.
Perícias oficiais concluíram que ele sofre de transtorno delirante persistente, tornando-o inimputável. Por isso, em 2019, a Justiça aplicou “absolvição imprópria” e determinou sua internação por tempo indeterminado.
Investigações posteriores não encontraram indícios de mandantes ou cúmplices.
Um novo exame feito em 2022 já havia apontado que ele ainda representava risco. Agora, o novo laudo definirá se essa condição mudou. (correiodoestado.com.br).