O relatório final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada no último fim de semana em Belém (PA), não incluiu o Pantanal entre as prioridades climáticas. A ausência do bioma sul-mato-grossense no documento provocou críticas de especialistas de Mato Grosso do Sul, que consideram o resultado insuficiente diante da urgência das mudanças climáticas.
Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação e Engajamento do Instituto SOS Pantanal, classificou como único avanço prático relacionado ao bioma o reconhecimento do manejo integrado do fogo, sistema que orienta o uso controlado das queimadas com base em aspectos ecológicos e técnicos.
Apesar da exclusão no texto final, Figueirôa destacou que a COP30 foi importante para dar visibilidade ao Pantanal e para a entrega da Carta de Proteção às Áreas Úmidas a autoridades ambientais.
Angelo Rabelo, diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), concorda que o bioma teve grande representatividade na conferência.
“Mesmo a COP acontecendo no coração da Amazônia, eu diria que o Pantanal nunca foi tão representado”, afirmou. Ele lembrou que o território pantaneiro é altamente afetado pelas mudanças climáticas e possui relevância estratégica no sequestro de carbono e na preservação da biodiversidade.
Decepção com o texto final
Embora o Pantanal tenha ganhado espaço nos debates, especialistas lamentaram que o documento final não mencione áreas úmidas, fundamentais para o equilíbrio climático por armazenarem carbono e regularem ciclos de cheia e seca.
“Especificamente acerca do Pantanal, não há avanço prático no texto final”, criticou Figueirôa, apontando que o bioma é a maior planície alagável do mundo e deveria ser prioridade global.
Além disso, segundo ele, a COP30 foi “insuficiente” e “fora da realidade”, por não enfrentar de forma efetiva a crise climática — principalmente pela ausência de medidas sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, apontados como o principal vetor do aquecimento global.
Indicadores e decisões
Nesta edição, a COP aprovou 29 decisões por consenso, incluindo avanços em temas como transição justa, financiamento climático, comércio, gênero e tecnologia. Também foi concluído um conjunto de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso da Meta Global de Adaptação.
Ainda assim, especialistas alertam que o resultado está aquém do necessário. A proposta do Mapa do Caminho para reduzir o uso de combustíveis fósseis, por exemplo, ficou fora do texto oficial. A tendência é que o governo brasileiro adote o roteiro unilateralmente, tornando-se o primeiro país a implementar a iniciativa.
Próximos passos
Com a exclusão do Pantanal no documento da COP30, a expectativa agora é de que o tema seja reinserido na próxima conferência climática, a COP31, prevista para ocorrer no ano que vem, na Turquia. fonte: correiodoestado.com.br