O Brasil registrou uma redução de 6% nas emissões de gases de efeito estufa em 2025, alcançando o menor nível dos últimos oito anos. O resultado foi divulgado pelo Observatório do Clima e mostra avanços no combate ao aquecimento global, principalmente devido à diminuição do desmatamento.
De acordo com a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o país emitiu 2,06 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2025, contra 2,19 bilhões de toneladas no ano anterior.
Apesar da melhora, o Brasil ainda não conseguiu atingir totalmente sua meta climática estabelecida para 2025 no Acordo de Paris.
Redução do desmatamento foi decisiva
A preservação das florestas teve papel fundamental na queda das emissões. Em 2025, os gases liberados pelas mudanças no uso da terra, principalmente pelo desmatamento, diminuíram 15%.
A redução foi registrada em diferentes biomas brasileiros, com destaque para:
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Pantanal: queda de 45%;
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Pampa: redução de 21%;
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Amazônia: diminuição de 20%;
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Caatinga: queda de 18%;
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Cerrado e Mata Atlântica: redução de 5% cada.
Mesmo com os resultados positivos, o desmatamento continua sendo a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil, representando 39% das emissões nacionais.
Segundo os pesquisadores, o avanço está relacionado ao fortalecimento das ações de fiscalização e combate à destruição da vegetação.
Brasil se aproxima da meta climática
As emissões líquidas, que consideram também a absorção de carbono pela vegetação, diminuíram 9% e chegaram a 1,41 bilhão de toneladas em 2025, o menor volume desde 2012.
A meta brasileira era limitar esse total a 1,32 bilhão de toneladas. Embora tenha ficado aproximadamente 85 milhões de toneladas acima do objetivo, o país apresentou uma melhora importante.
Estimativas preliminares indicam que, em 2026, as emissões líquidas poderão cair para 1,23 bilhão de toneladas, aproximando o Brasil do compromisso previsto para 2030.
Agropecuária mantém participação elevada
O setor agropecuário respondeu por cerca de 30% das emissões brasileiras em 2025.
Segundo o levantamento, foram emitidas 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, praticamente o mesmo volume registrado em 2024.
A pecuária apresentou redução de 1,68%, enquanto as atividades agrícolas tiveram aumento de 6,45%.
A criação de bovinos continua sendo uma das principais fontes de emissão de metano, gás liberado naturalmente durante a digestão dos animais.
Quando também são consideradas as emissões provocadas pelo desmatamento para formação de pastagens, o impacto da pecuária chega a 721 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Transporte e energia registram aumento
Diferentemente do desmatamento, o setor energético apresentou crescimento de 1,2% nas emissões, atingindo 427 milhões de toneladas.
O aumento foi impulsionado principalmente pelo consumo de combustíveis utilizados no transporte de passageiros e mercadorias.
Em 2025, o consumo de diesel cresceu 3%, enquanto o de gasolina aumentou 4%.
A geração de eletricidade também registrou aumento de 6% nas emissões, mesmo com a expansão das fontes renováveis, como a energia solar.
Lixo e resíduos também preocupam
O setor de resíduos apresentou o maior crescimento percentual entre as atividades analisadas, com alta de 3,6%.
As emissões chegaram a 95,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, principalmente devido à decomposição de materiais descartados em aterros sanitários e lixões.
O levantamento também revelou que menos de 3% dos resíduos produzidos no Brasil foram recuperados por meio da reciclagem em 2025.
O resultado reforça a necessidade de ampliar a coleta seletiva, incentivar a reciclagem e melhorar o tratamento dos resíduos.
Desafio é manter a redução nos próximos anos
Para os especialistas do Observatório do Clima, os números demonstram que o combate ao desmatamento está produzindo resultados importantes.
No entanto, o Brasil ainda precisa avançar na redução das emissões de outros setores, especialmente agropecuária, transporte, energia e gestão de resíduos.
A conclusão do levantamento é que preservar as florestas continua sendo essencial, mas alcançar as metas climáticas dependerá também de mudanças na produção, no consumo de energia e no tratamento do lixo.